O Que é Independência Financeira?

O termo “independência financeira” sempre foi motivo de discussão nos estudos relativos às finanças pessoais. Muitas pessoas se sentem “independentes” quando atingem certos objetivos, como, por exemplo:

  • Aquisição de um automóvel, principalmente quando está no início de sua vida profissional
  • Aquisição e/ou quitação de um imóvel, até porque na cultura brasileira, o imóvel continua sendo símbolo de conquista
  • Alcançar uma poupança de R$ 1 milhão, o que o caracterizaria como “milionário”
  • Acumular recursos financeiros no valor de “X” reais, sem mesmo avaliar se este montante seria suficiente para enfrentar períodos mais longos de adversidade.

Os exemplos poderiam ainda ser estendidos, mas os aqui citados parecem ser suficientes para mostrar as diferentes interpretações.

Na realidade, o conceito correto de “independência financeira” está associado à geração de um fluxo de renda mensal, de caráter perpétuo, que seja suficiente para manter um determinado padrão de vida por tempo indeterminado. A partir desse enfoque, duas questões merecem uma discussão mais profunda: por que o fluxo de renda tem que ser perpétuo se a vida é finita?, e como gerar esse fluxo de renda mensal?

No primeiro caso, vale destacar que são conhecidas as estatísticas sobre expectativa de vida no Brasil, atualmente em 74,08 anos. É importante lembrar, porém, que:

  • Essa expectativa de vida é uma média, e como tal tem variância, o que significa dizer que muitas pessoas vão viver mais do que essa média
  • A expectativa de vida no Brasil não é maior devido à taxa de mortalidade infantil (que vem caindo, mas ainda é alta) e à elevada incidência de mortes na juventude (drogas e acidentes)
  • Isso significa dizer que uma pessoa que atingiu certa faixa etária (40/50 anos) tem uma expectativa de vida maior
  • É cada vez mais frequente no Brasil encontrar casos de pessoas superando os 95/100 anos, tendência esta que certamente vai se acentuar
  • Se uma pessoa ao fazer seu planejamento, “projetar” sua vida até digamos “y” anos, correrá o risco de ter seu patrimônio encerrado e ainda estar vivo
  • A diferença entre o valor de um patrimônio necessário para gerar um fluxo perpétuo de renda e aquele necessário para gerar o mesmo fluxo de renda por um período de 30/40 anos é muito pequena.

A segunda questão está associada ao tipo e tamanho do patrimônio que vai gerar esse fluxo de renda. O valor do patrimônio, evidentemente, dependerá do volume de renda mensal que se deseja alcançar, bem como dos rendimentos proporcionados pelos ativos que vão compor o patrimônio. Certamente essa composição vai ser determinada pelo perfil do investidor, podendo conter: ativos de renda fixa (que rendem juros), ativos de renda variável (dividendos), imóveis (aluguéis), previdência privada ou pública, entre outros.

Sem entrar no mérito de como alcançar esse patrimônio, alguns alertas devem ser feitos para as pessoas que buscam a tão sonhada “independência financeira”. Neste sentido, cabe destacar:

  1. Para fins de renda mensal vitalícia, apenas os rendimentos reais gerados pelos ativos de renda fixa podem ser considerados; a apropriação de rendimentos nominais corrói o patrimônio e, por consequência, a renda real futura; muitos poupadores ainda tem ilusão monetária e raciocinam em termos nominais, acabando por “consumir” o valor real do patrimônio (este “perigo” fica maior em períodos de aceleração inflacionária como ocorre atualmente no País).
  2. Para quem alocar recursos em ativos de renda variável, lembrar que a geração de renda é favorecida por ações de empresas que tem por hábito distribuir dividendos.
  3. Os preços dos imóveis também podem ter variações reais positivas ou negativas que acabam afetando o valor do patrimônio; lembrar, da mesma forma, que o preço do metro quadrado de um imóvel usado não é o mesmo do novo, até porque neste mercado também há depreciação.
  4. Não se esquecer que sobre os rendimentos incidem imposto de renda, inclusive aluguéis; o que realmente conta como capacidade de compra são os rendimentos líquidos.

É importante ficar atento e ter flexibilidade para alterar a composição do patrimônio, porque a economia e os mercados são dinâmicos, alterando a atratividade relativa dos ativos como geradores de renda; a evolução recente dos juros no Brasil é uma evidência neste sentido.

Deixe uma resposta